
Sonhos de Uma Noite no Sertão

Cartaz do espetáculo
Sonho de Uma Noite no Sertão
Concebido em outubro de 2010, o espetáculo "Sonhos de Uma Noite no Sertão" é a compilação das pesquisas, experiências, estudos e práticas realizados pelo Coletivo Anônimo de Atuadores em um trabalho de 2 anos. Trata-se de um espetáculo de teatro-experiência de interlinguagens, onde circo, teatro, dança e performance são elementos atravessados que se cruzam para a construção de um fenômeno maior.
O tema central é o casamento entre a história de Shakespeare com a de Virgulino Lampião. A utilização da linguagem circense colabora na criação de imagens significantes que materializarão o tema na cena, através da exploração do corpo no espaço, de maneira lúdica e popularesca, valorizando os intérpretes.
"Na cidade de Brogodó vai acontecer um casamento, de Maria e Lampião, que é prometido a muito tempo. Lucicleide, sua filha, casará no mesmos instante, com o jovem Doravante, por quem não sente algum romance. Eis que o circo chega na cidade, trazendo Carolino, seu amor de verdade. Daí começa a confusão, com as trocas de casais: Shakespeare usou uma flor, mas a gente usa cachaça. E pra dar mais um tempero, um gostinho de fubá, tem o folclore brasileiro e a santa Iemanjá!". Este trecho do espetáculo sintetiza bem os acontecimentos narrativos do trabalho que utiliza na tessitura de sua dramaturgia a poesia do cordel, o ritmo do repente e a secura do sertão."
"Sonhos de uma Noite no Sertão" é um espetáculo que teve como ponto de partida o casamento de um texto clássico shakespeariano com os elementos da cultura popular brasileira. Partindo de uma construção coletiva, o roteiro foi desenvolvido por meio de um árduo trabalho de pesquisas e improvisações que levaram a construção de um "canovaccio" (roteiro de ação usado na "Commedia DelArte"), do qual consequentemente foi gerado o texto final, de forma que a palavra e a imagem tornassem-se de igual valor, ressaltando o valor universal de comunicabilidade do trabalho com o público.
Para estimular ainda mais essa universalização linguística optou-se pela utilização de várias linguagens artísticas (teatro, dança e circo) o que revelou-se justo para a manifestação cênica de um conteúdo mitológico e cômico, em que a própria fábula já apresenta uma simbologia extra-cotidiana.
A encenação aqui torna-se praticamente um processo de organização das cenas decorrentes,das improvisações e a organização da narrativa, mesmo quando não há um texto dramatúrgico. Desta maneira, a dramaturgia do espetáculo se dá pelo diálogo entre encenação, pesquisa regional e texto na organização do material produzido pelos atores-criadores, a partir dos estímulos da direção. Trata-se de um procedimento retroalimentativo que depende ao mesmo tempo da potência criativa dos indivíduos e da relação eficiente entre eles na troca entre os produtos criados.
O espetáculo dura um dia, ou melhor, uma noite inteira! Partindo de inspirações como a Estética Relacional de Bourriaud, o espetáculo oferece uma experiência direta com o trabalho, onde o público é convidado a "pernoitar" nos acampamentos de Lampião até a manhã tão esperada de seu casamento. Enquanto aguardam a chegada, o público atravessa a fábula de forma direta, deitando-se em redes, ouvindo histórias do Sertão, costurando o vestido da noiva, procurando a garrafa enfeitiçada pelo Saci, entre outras. O jogo é instaurado do começo ao fim, de forma que o espectador possa se perder no fio que separa ficção de realidade.







Fotos
